Quando saber a hora de mudar de psicólogo?
O processo terapêutico, especialmente na complexa dinâmica de um casal, assemelha-se ao caminho do “Êxodo”: uma saída necessária da terra da escravidão (o egoísmo, o vício, a projeção) em direção à terra da liberdade (o amor como doação). No entanto, nem todo guia é capaz de conduzir o povo pelo deserto. Como psicoterapeuta, é preciso coragem para admitir que, às vezes, o “cajado” que sustenta o casal precisa ser trocado.
Mas como saber quando a terapia deixou de ser um caminho de libertação para se tornar uma nova forma de estagnação? Aqui estão quatro sinais fundamentais, fundamentados na psicologia e na teoria do discernimento.
1. A Terapia virou um “Tribunal do Egito”
Como psicoterapeuta frequentemente alertava sobre a tentação de transformar a relação com Deus em um tribunal de méritos e culpas. Na clínica de casal, isso acontece quando o psicólogo se posiciona como um juiz ou permite que as sessões se tornem apenas um espaço para “quem tem razão”.
Se o seu terapeuta não consegue transcender a busca pelo culpado e não ajuda o casal a enxergar a responsabilidade compartilhada na construção do “homem novo”, a terapia faliu. Um bom psicólogo não aponta quem errou; ele ilumina as dinâmicas que impedem o casal de se amar em liberdade.
2. Ausência de “Consolação e Desolação” (O Discernimento Estagnado)
Na sabedoria inaciana, o discernimento passa por entender os movimentos da alma. Uma terapia de casal eficaz deve gerar movimentos. Se o casal sai das sessões há meses sentindo exatamente a mesma “mornidão” ou indiferença, sem que haja confrontos saudáveis ou lampejos de nova vida, o processo pode ter se tornado burocrático.
Mudar de psicólogo é necessário quando o profissional se torna parte do cenário da crise, em vez de ser o agente catalisador da mudança. A terapia deve ser um lugar de “crise” no sentido original da palavra: decisão e separação do que é vida do que é morte.
3. O Psicólogo como “Ídolo” ou “Muleta”
O maior pecado é a idolatria — colocar algo criado no lugar do Criador. Na psicologia, isso ocorre quando o casal não consegue tomar nenhuma decisão sem “perguntar ao doutor”.
Se o terapeuta fomenta uma dependência infantil, onde o casal não desenvolve autonomia para resolver conflitos fora do consultório, ele está alimentando o ego e não a cura. O bom psicólogo trabalha para se tornar desnecessário. Se você sente que a terapia é uma prisão confortável, talvez seja hora de buscar um guia que o encoraje a caminhar com as próprias pernas.
4. Falta de Alinhamento Ético e Antropológico
A antropologia cristã vê o ser humano como um ser vocacionado ao encontro. Se o psicólogo atual possui uma visão puramente mecanicista, excessivamente individualista (focada apenas no “meu bem-estar” em detrimento do pacto conjugal) ou se ele ignora a dimensão espiritual e os valores que sustentam a família, haverá um conflito de base.
A hora de mudar de psicólogo é quando o casal sente que o “mapa” que o profissional usa não corresponde à “terra” que eles desejam habitar. Se o terapeuta desdenha da importância da aliança ou da sacralidade do compromisso, ele não conseguirá ajudar o casal a reconstruir “a casa sobre a rocha”.
Conclusão: O Passo da Liberdade
Reconhecer que é hora de trocar de psicólogo não é um fracasso, mas um ato de discernimento. É entender que, para uma nova etapa da vida, é necessário um novo olhar. O importante não é onde estamos, mas para onde estamos caminhando. Se o caminho atual está bloqueado, mude a rota, mude o guia, mas nunca desista da travessia em direção ao amor verdadeiro.
DR. FERNANDO TADEU BARDUZZI TAVARES


