Como Encontrar Propósito na Cura Interior?
“Ora, havia em Jerusalém um homem chamado Simeão. (…) Ele tomou o menino nos braços e bendisse a Deus, dizendo: ‘Agora, Senhor, podes deixar o teu servo partir em paz, segundo a tua palavra. Porque os meus olhos viram a tua salvação, que preparaste diante de todos os povos: luz para iluminar as nações e glória do teu povo Israel’.” (Lc 2,25-32)
O encontro de Simeão com o Menino Jesus no Templo não é apenas um evento religioso; é um arquétipo da saúde mental e da cura interior. Simeão representa a paciência de quem sabe esperar, enquanto Maria e José representam a humildade de quem aceita a vida como ela é. Para quem hoje se sente perdido ou emocionalmente esgotado, esta passagem oferece um roteiro de propósito de vida.
Maria e José chegam ao Templo com o Filho. Eles poderiam se sentir especiais, diferentes ou superiores, mas o evangelho diz o contrário, diz que eles seguem o ritual comum do seu povo. Na psicanálise clínica, entendemos que a saúde mental sólida começa com a aceitação da nossa condição humana comum. Muitas vezes, o nosso sofrimento é alimentado pelo desejo de sermos excepcionais ou pela revolta contra a nossa própria fragilidade, até nos revoltamos porque os outros não nos dão valor, mas o mais importante é nós nos darmos valor, e saber que Deus nos dá.
Quando não nos revoltamos com à realidade, como a Sagrada Família que não foge dos ritos ordinários, paramos de brigar com a vida. A cura interior floresce justamente nesse solo: quando paramos de exigir que a vida seja perfeita e passamos a enxergar a beleza de Deus naquilo que é simples e cotidiano. A humildade não é submissão cega; é o realismo de quem sabe que tudo é dom.
Simeão é um exemplo de equilibrio emocional através da fé. Ele passou uma vida inteira esperando. Em um mundo de gratificação imediata, que gera tanta ansiedade e estresse, Simeão nos ensina a arte de “permanecer”. A salvação não é uma ideia abstrata, mas um encontro concreto.
A cura interior acontece quando nossos olhos finalmente “veem a salvação” no meio da nossa dor. Simeão não vê um guerreiro ou um rei, ele vê um bebê dependente. Da mesma forma, sua saúde mental se estabiliza quando você para de procurar uma solução mágica e começa a acolher a sua vulnerabilidade como o lugar onde Deus habita. Quando Simeão diz que agora ele pode “partir em paz”, ele descreve o estado de quem encontrou o seu propósito de vida: reconhecer a luz no meio da escuridão.
O texto nos convida a reconhecer que tudo o que somos é dom. Como psicoterapeuta afirmo que essa é a chave da gratidão, um dos maiores antídotos contra a depressão. Ao reconhecer que a vida é um sinal de confiança da parte de Deus, mudamos o nosso foco da falta para a abundância.
Seu propósito de vida não é algo que você constrói sozinho para si mesmo; é algo que você descobre ao se tornar luz para o outro. Assim como Jesus foi apresentado como “luz para iluminar as nações”, sua jornada de cura interior serve para iluminar o caminho de quem está ao seu redor. Quando você leva sua saúde mental a sério, suas palavras e sua presença tornam-se um acolhimento para os irmãos que ainda sofrem na penumbra do medo.
A festa que hoje comemoramos da Apresentação do Senhor, é o convite para oferecermos nossa vida para que ela se torne luz. Se hoje você está enfrentando uma crise, lembre-se de Simeão: a luz pode demorar a chegar, mas ela virá. Deixe que a presença de Cristo mude a sua percepção da dor.
A cura interior não é a ausência de problemas, mas a presença de um sentido. Que o seu dia hoje seja um dom para os outros, vivido na simplicidade e na certeza de que a beleza de Deus se manifesta na sua vida, basta esperar e acolhê-la nos seus braços, no seu coração que perdoa e na sua alma que descansa na paz de quem finalmente se encontrou.
Te faço hoje uma pergunta: O que em você precisa ser apresentado à luz para que encontres a paz?
Dr. Fernando Tadeu
Psicoterapeuta e Teólogo


